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Despedidas

DESPEDIDA PRIMEIRA

 

Seu pé em planta no peito do meu

Tira-me a alma do solo em jorros

O beijo macio na almofada do seu lábio

Me faz olhar para o dentro-abismo

Lá onde estou emprenhada de amor

Sou virgem intocada que pare

A realidade anciã

Preciso rasgar este adeus nas entranhas

Expulsar o que não foi e não é

Uma carta, tua justa despedida

Ela fica – eu vou

Para além do seu exílio sedante

Para mais longe e talvez livre afinal

 

DESPEDIDA SEGUNDA

 

Corto teu cabelo rente

Raspo tua sobrancelha

Lacro teus olhos, tua boca

Te deixo sem pelos, sem roupa

Assim na figura do teu corpo

Borro as cores, traços, gestos

Apago teu sexo e és manequim

Todo liso, duro, sem sabor

Por fim pareces e agora sei que és

 

DESPEDIDA TERCEIRA

 

Belo o pelo em adorno

No seu rosto, peito, pernas

Magro tronco, longos braços

Voz de canto, mão de músico

Homem de fuga e dor

Como ser do medo com você?

Filho sem ser pai

Que não quer para não dar

Imberbe, glabro, rouco, pouco

Você não custa nem gasta

E não basta

 

 DESPEDIDA ATUAL

 

Agora entendo: você me odeia

Essa a força do nosso encontro

Por isso o ataque à minha boca

A ternura feita toque e poeira

Solta ao vento, sem parada

Pássaro assustado que revoa

Amplidão e horizonte sem nós

Sou sua musa desamada

Agora atendo: você é não

e no amor é bem menor

 

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